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Feijão-preto sobe com estoque mais apertado da safra

22 de setembro de 2026 João Bienert
Tigelas de madeira cheias de feijão-preto cru sobre bancada de madeira clara, com luz natural de janela ao fundo

Segunda-feira de manhã, o fornecedor de secos manda a lista de preço da semana e o feijão-preto vem mais caro do que na sexta. Não é impressão: em 21 de setembro de 2026, o Cepea registrou o feijão-preto tipo 1 com as maiores altas entre os tipos de feijão que acompanha, enquanto o carioca segue com vendedor segurando preço e comprador mais cauteloso.

O pano de fundo é maior do que o pregão de uma quinta-feira. Já em agosto, quando a Conab divulgou a primeira leitura de uma safra menor, o preço do feijão vinha subindo em 17 capitais. Agora, com o balanço de oferta e demanda de setembro, a mesma Conab estima a produção nacional em 2,95 milhões de toneladas, queda de 3,6% ante o ciclo anterior, e projeta o estoque final em apenas 98,1 mil toneladas: o colchão mais apertado da série recente.

Este texto separa o que é barulho de pregão do que muda de fato a compra de feijão de uma operação pequena: por que o preço não sobe igual para todo tipo de feijão, quanto isso pesa no prato, e se vale travar contrato agora ou seguir cotando semana a semana.

O que aconteceu com o preço do feijão em setembro?

O feijão-preto tipo 1 puxou a alta do dia entre os tipos acompanhados pelo Cepea, com destaque para as praças do Paraná; o feijão-carioca segue firme, mas com o comprador mais seletivo diante dos preços já elevados.

Na leitura de 21 de setembro de 2026, a saca de 60 kg do feijão-preto tipo 1 fechou a R$ 256,25 no Noroeste do Paraná, alta de 4,06% só naquele dia, e a R$ 251,54 em Curitiba. Do lado do carioca, a peneira 12 negociada em Itapeva chegou a R$ 352,32 a saca, e o carioca notas 8 e 8,5, também em Itapeva, a R$ 334,14. A tabela reúne os quatro números na mesma data, para comparar tipo com tipo.

O feijão é um dos itens que compõem a cesta básica acompanhada mês a mês pela Conab, ao lado de arroz, carne e leite: nem sempre os itens da cesta se movem juntos, e é por isso que vale olhar cada insumo separado antes de decidir a compra da semana.

Tipo de feijão Praça Preço por saca de 60 kg Variação no dia (21/09)
Feijão-preto tipo 1 Noroeste do Paraná R$ 256,25 +4,06%
Feijão-preto tipo 1 Curitiba R$ 251,54 +0,35%
Feijão-carioca peneira 12 Itapeva R$ 352,32 +1,63%
Feijão-carioca notas 8 e 8,5 Itapeva R$ 334,14 +2,48%

Note que o carioca custa mais por saca do que o preto nas duas praças. Isso não quer dizer que o carioca “subiu mais”: são indicadores de tipos diferentes, com histórico de preço próprio, e o que importa para a sua compra é a variação de cada um no tempo, não a comparação direta entre os dois valores.

Por que o feijão-preto subiu mais que o carioca?

Porque a oferta de feijão-preto está mais restrita nas praças do Sul justo agora, enquanto o mercado de carioca já vinha em patamar alto havia semanas e o comprador reagiu segurando a compra.

Segundo o Cepea, o baixo volume ofertado nas praças paranaenses sustentou as maiores valorizações do dia no feijão-preto. Já para o carioca, o próprio boletim registra vendedores mantendo a oferta firme e compradores adotando “postura mais cautelosa diante dos avanços nos preços”: quem compra carioca está resistindo a pagar mais, o que tende a segurar a alta desse tipo por mais tempo do que a do preto.

Vale diferenciar os dois para não misturar a conta: o feijão-preto concentra consumo nas regiões Sul e parte do Sudeste, e pesa mais no cardápio de quem serve feijão tropeiro, feijoada ou acompanhamento de churrascaria. O carioca é o tipo mais consumido no país como um todo, presente no prato feito e no self-service por quilo de norte a sul. Uma rede com lojas em praças diferentes pode estar sentindo pressões diferentes ao mesmo tempo, dependendo de qual tipo cada casa compra mais.

O que a safra 2025/26 tem a ver com o preço de hoje?

A safra menor e o estoque mais apertado explicam por que o preço tende a ficar firme nas próximas semanas, mesmo que um dia específico feche estável ou em leve queda.

A variação diária de uma praça é ruído: sobe num dia, recua no seguinte, e sozinha não diz muito sobre a tendência. O que muda a compra de verdade é o número estrutural: produção nacional 2025/26 estimada em 2,95 milhões de toneladas, 3,6% abaixo do ciclo anterior, com estoque de passagem projetado em 98,1 mil toneladas pela Conab. Um estoque final baixo significa menos margem de segurança até a entrada da safra seguinte, o que sustenta preço mesmo sem nenhuma notícia nova no meio do caminho. Em setembro, o avanço da comercialização da chamada terceira safra ajuda a explicar por que as cotações têm seguido em alta ao longo do mês.

O mesmo raciocínio vale, guardadas as proporções, para o estoque dentro do restaurante: quem calcula estoque mínimo e ponto de pedido de feijão sabe até quando o volume guardado aguenta antes de precisar de reposição, mesmo que o fornecedor demore alguns dias a mais para entregar por causa da safra apertada.

Quanto isso pesa no prato de um restaurante?

Depende de quanto feijão a operação compra e de qual tipo, mas a conta é simples de fazer: o preço por saca dividido por 60 dá o custo por quilo antes do frete e da margem do distribuidor.

Pegando o preço do Noroeste do Paraná como referência, R$ 256,25 a saca de 60 kg dá cerca de R$ 4,27 por quilo de feijão-preto tipo 1 saindo direto da praça produtora, antes de frete e margem do distribuidor chegarem na sua nota. Para ilustrar com um número hipotético: numa casa que compra 25 kg de feijão-preto por semana, cerca de 100 kg no mês, uma alta de R$ 0,20 no quilo já soma uns R$ 20 a mais na conta mensal, sem nenhum aumento chamativo no preço unitário. É pouco dinheiro isolado, mas é o tipo de item que aparece toda semana na nota, em self-service, churrascaria, bar de petiscos e cozinha central de rede. Não é a primeira vez que um acompanhamento de prato feito pesa assim: em agosto, o arroz subiu 14,19% e chegou ao maior preço desde 2025, apertando o mesmo tipo de prato que agora sente o feijão.

Aqui vale separar CMV do custo do prato: o CMV (custo da mercadoria vendida) é o gasto com o insumo em si, o que a nota fiscal do fornecedor mostra; o custo do prato soma o CMV de cada ingrediente da ficha técnica, já considerando o rendimento depois do cozimento e da limpeza. Feijão rende bem depois de cozido, então uma pequena alta na saca costuma pesar menos no prato final do que num insumo que perde peso na preparação, como uma carne com muito osso ou apara.

Isso ajuda a responder outra dúvida comum: vale repassar essa alta para o cardápio agora? Numa marmita ou num prato feito, o feijão costuma ser um item de custo baixo perto da proteína principal, e um reajuste de alguns reais por saca raramente justifica sozinho mudar o preço de venda. A decisão de repasse faz mais sentido quando soma o efeito de vários insumos ao mesmo tempo, não a partir de um único item que ainda está dentro da faixa de variação normal do mês.

Vale travar contrato de feijão agora ou comprar semana a semana?

Não existe resposta única: depende de quanto a operação consome, de quanto espaço de estoque seco ela tem e de quanto capital de giro sobra para comprar mais volume de uma vez.

A tabela abaixo organiza os três caminhos mais comuns para quem compra feijão numa semana como esta, com o que cada um trava e o risco que carrega.

Caminho O que trava Risco Quando faz sentido
Contrato de 60 a 90 dias com o fornecedor Preço e volume mínimo por entrega Se o preço cair antes do fim do prazo, a casa paga acima do mercado Consumo estável e nenhum sinal de safra nova entrando forte
Cotar toda semana com mais de um fornecedor Nada; decide a cada compra Mais tempo gasto comparando preço e ligando para o fornecedor Preço oscilando dia a dia, como agora, sem tendência clara de queda
Comprar volume maior à vista, de uma vez Capital de giro em estoque parado Perda se o preço cair depois ou o grão perder qualidade guardado Sobra caixa e espaço seco, e o estoque mínimo já está calculado

Para a maioria das operações de uma a cinco lojas, cotar toda semana com pelo menos dois fornecedores de secos é o caminho mais seguro enquanto o mercado estiver assim, subindo em algumas praças e estável em outras no mesmo dia. Travar contrato longo só compensa quando o volume de compra é grande o suficiente para justificar a perda de flexibilidade caso o preço amoleça com a entrada de mais safra no mercado.

A mesma pergunta apareceu no sentido contrário há pouco tempo, quando o preço do suíno vivo caiu pelo quinto mês seguido e a dúvida era se valia travar contrato esperando a queda continuar. A lógica de decisão é a mesma dos dois lados: quanto mais estável o consumo e mais clara a tendência de preço, mais seguro é travar; quanto mais incerto o mercado, mais vale manter a cotação semanal.

Qualquer que seja o caminho escolhido, alguns erros de negociação aparecem toda vez que o preço sobe assim. O primeiro é aceitar um reajuste sem perguntar de qual tipo de feijão o fornecedor está falando: um repasse justificado pela alta do carioca não vale para justificar reajuste no preto, e vice-versa, porque os dois têm dinâmica própria, como mostra a tabela de preços do início do texto.

O segundo é fechar contrato de safra inteira com base no preço de um único dia de cotação, sem checar se aquele valor está dentro da média das últimas semanas ou é um pico isolado. O terceiro é combinar preço e prazo de validade só de boca, sem registrar por escrito, o que abre espaço para o fornecedor alegar “mudança de mercado” na entrega seguinte. O quarto é comprar todo o volume do mês de uma vez achando que “só vai subir”: estoque de secos parado por tempo demais também tem custo, de capital e de risco de perda por umidade ou praga.

O que fazer na próxima compra de feijão

As ações abaixo servem para o feijão desta semana, mas valem para qualquer item que entre na lista de compras do restaurante nesse tipo de semana instável.

  • Peça cotação a pelo menos dois fornecedores de secos, separando feijão-preto de feijão-carioca, com validade curta (de três a cinco dias) enquanto o preço estiver oscilando assim.
  • Pergunte a origem do lote antes de fechar: praças do Paraná e do Sul subiram mais nesta semana do que praças do Centro-Oeste, segundo o próprio Cepea.
  • Registre por escrito o preço fechado, o tipo de feijão e a validade da proposta, em papel, planilha ou mensagem salva, para não depender da memória do balcão na entrega seguinte.
  • Monte uma lista simples com data, fornecedor, tipo de feijão e preço por saca a cada compra, para enxergar a tendência real antes de decidir travar contrato.
  • Se a operação já usa sistema de compras, registre esse histórico de preço por fornecedor ali, para comparar automaticamente na próxima rodada de cotação.

Como o Kotari ajuda

Numa semana em que o preço muda de praça para praça e de tipo para tipo, dá para pedir cotação de feijão-preto e de feijão-carioca a mais de um fornecedor ao mesmo tempo, e comparar lado a lado quem oferece o melhor preço por saca, sem depender de anotar cada resposta à mão. Ao fechar a cotação, o preço combinado fica travado: o fornecedor não muda o valor depois, o que ajuda justo quando a cotação de segunda já não vale mais na quinta.

Para quem compra pouco feijão e de um fornecedor só, a planilha simples do passo anterior já resolve; a cotação formal compensa quando há mais de um fornecedor de secos para comparar de verdade. Quem quiser entender melhor como funciona esse tipo de cotação e comparação de fornecedores pode ver o processo completo.

Perguntas frequentes

Qual a diferença de preço entre feijão-preto e feijão-carioca?

São indicadores de tipos diferentes, cada um com histórico e praça de referência próprios, então o valor de um não deve ser comparado direto com o do outro. Em 21 de setembro de 2026, o carioca negociava a mais de R$ 330 a saca de 60 kg em Itapeva, contra pouco mais de R$ 250 do preto tipo 1 no Paraná, segundo o Cepea; o que importa para a compra é a variação de cada tipo ao longo do tempo, não a diferença entre os dois valores.

O preço do feijão vai continuar subindo até o fim do ano?

Não dá para prever isso com segurança. O que se sabe, pelo balanço de oferta e demanda da Conab de setembro de 2026, é que o estoque final da safra 2025/26 está entre os mais apertados da série recente, o que tende a sustentar preço firme enquanto a nova safra não avança na comercialização.

Dá para negociar feijão sem sistema de compras, só com o fornecedor?

Dá, e é o caminho de quem compra pouco volume ou de um único fornecedor: basta registrar por escrito, em planilha ou mensagem salva, o preço, o tipo de feijão e a validade combinada, para ter prova caso o fornecedor tente mudar o valor na entrega.

De quanto em quanto tempo vale cotar feijão numa semana como esta?

Enquanto o preço estiver oscilando entre praças e tipos como agora, vale pedir cotação nova a cada compra, com validade curta de três a cinco dias; quando o mercado estabilizar por algumas semanas seguidas, cotar a cada 15 dias costuma bastar.

Travar contrato de feijão é seguro com o estoque da safra tão apertado?

Pode ser seguro para quem tem consumo estável e não tem sinal de que o preço vai cair no curto prazo, mas trava a flexibilidade: se a nova safra entrar mais forte que o esperado e o preço amolecer, a casa segue pagando o valor combinado até o fim do contrato.

Por que o preço da mesma saca de feijão varia tanto entre praças do Paraná e de Goiás?

Porque cada praça tem sua própria relação de oferta e demanda local: volume colhido na região, distância até o comprador final e velocidade de comercialização da safra ali. É por isso que vale sempre perguntar a origem do lote antes de aceitar um reajuste, em vez de assumir que o preço subiu igual em todo o país.

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