Feijão: safra menor pela Conab, preço sobe em 17 capitais

A safra de feijão do país caiu. O preço já subiu na maioria das capitais pesquisadas. A decisão que está na mesa agora é simples de enunciar e cara de errar: travar o preço com o fornecedor antes da próxima entrega ou esperar e torcer para a safra seguinte aliviar o custo.
O que aconteceu
A Conab divulgou nesta quinta-feira (13/08) a estimativa da safra de grãos 2025/26: 360,8 milhões de toneladas no total, alta de 2,4% sobre o ciclo anterior. O feijão ficou fora dessa alta. A produção nacional deve fechar em torno de 3 milhões de toneladas, queda de 3,2% frente à safra 2024/25.
O reflexo já apareceu no bolso. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita todo mês pela Conab em parceria com o Dieese, mostrou o feijão subindo em 17 das 26 capitais pesquisadas em julho, mesmo com a cesta básica caindo no geral por causa de batata, tomate, café e açúcar. Menos grão plantado, mais gente pagando mais caro pela saca. A conta fecha.
Nas outras 9 capitais o preço ainda não subiu, o que só reforça que a alta não é um boato local: é um efeito de safra menor se espalhando pelo país em velocidades diferentes. Onde já chegou, chegou para ficar até a colheita seguinte aparecer no mercado.
O que isso muda no seu custo
Feijão é item de rodapé na ficha técnica e peso pesado no cardápio. Custa pouco por porção, mas entra em praticamente todo prato feito, marmita e buffet por quilo da casa. Quando o insumo mais repetido do menu sobe, a margem do prato de menor ticket é a primeira a sentir, porque é justamente esse prato que o cliente espera pagar sempre o mesmo valor.
A decisão que importa aqui é por quanto tempo travar o preço com o fornecedor. Contrato longo protege a margem enquanto a safra estiver apertada, mas prende a casa a esse preço se a colheita seguinte vier melhor e o mercado ceder. Compra semana a semana mantém flexibilidade, só que expõe a casa a cada novo reajuste até a entrada da próxima safra no mercado. As duas opções custam alguma coisa. A pergunta é qual protege mais o caixa nos próximos meses.
O tamanho da casa também entra na conta. Quem compra em pequeno volume sente menos o efeito absoluto em reais, mas tem menos força para negociar prazo longo com o fornecedor. Quem compra em volume maior sofre mais se travar no momento errado, mas é justamente quem tem escala para pedir um preço fechado por mais tempo em troca de comprometer o volume inteiro com um fornecedor só. Ninguém sabe se o preço vai subir mais nas próximas semanas. A pergunta que dá para responder é quanto essa casa perde se errar a aposta.
O que não fazer: não é hora de trocar de fornecedor só atrás do centavo mais barato do momento. Fornecedor que já entrega com regularidade, na quantidade certa, vale mais do que uma cotação pontual mais barata de quem você nunca comprou, principalmente com oferta menor no mercado inteiro. Migrar por preço agora e descobrir depois que o novo fornecedor atrasa ou entrega peso errado custa mais do que os centavos economizados.
Vale olhar também o tipo de feijão do cardápio. Carioca, preto e outras variedades reagem diferente à mesma safra menor, dependendo da região de plantio de cada um. Se a casa usa mais de um tipo, comparar a variação de cada um separadamente, e não só o “feijão” genérico, mostra onde travar preço compensa mais.
O que fazer na próxima compra
- Hoje: peça ao fornecedor o preço fechado para as próximas quatro semanas, não só para a entrega da vez, e registre por escrito o valor e o prazo combinados.
- Hoje: confira na ficha técnica quanto de feijão entra em cada prato de maior saída e recalcule o custo por porção com o preço novo, não com o preço do mês passado.
- Esta semana: compare o preço por quilo entre pelo menos dois fornecedores antes de fechar qualquer contrato mais longo, mesmo que um deles já seja o de sempre.
- Esta semana: se o cardápio usa mais de um tipo de feijão, separe o custo de cada um e veja qual pesa mais na conta antes de decidir onde travar.
- Quando o mês fechar: compare o gasto real com feijão nesse período contra o mês anterior e decida se o contrato travado valeu a pena ou se é hora de voltar a negociar semana a semana.
Como o Kotari ajuda
Para decidir travar preço com conhecimento, ajuda enxergar mais de uma proposta ao mesmo tempo: no Kotari, dá para cotar com vários fornecedores numa mesma rodada e comparar o preço de cada um lado a lado, item por item, antes de fechar. E quando a cotação é finalizada, o preço combinado fica travado ali, sem depender de o fornecedor lembrar o que prometeu na entrega seguinte. Mais sobre o fluxo de compra completo em funcionalidades do Kotari.
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