Compras

Açúcar sobe 5,56% no mês: vale travar o preço?

24 de setembro de 2026 Joice Lima
Açúcar cristal derramado de um saco de aniagem sobre bancada de madeira rústica

Nos últimos vinte dias, a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu praticamente todo dia útil no Indicador Cepea/Esalq de São Paulo: de R$ 115,41, em 2 de setembro, para R$ 120,08, em 23 de setembro de 2026, um avanço de 5,56% no mês segundo o próprio indicador. Não é um pico isolado que passa na semana seguinte. É o retrato de uma safra menor no Centro-Sul, e o Cepea já projeta que a oferta deve seguir apertada nos próximos meses.

Isso põe uma decisão concreta na mesa de quem compra açúcar toda semana: travar o preço com o fornecedor por um período fixo agora, ou continuar cotando semana a semana, apostando que o pior já passou. Não é a primeira vez que uma safra mais curta aperta o preço de um insumo básico este mês: o feijão-preto passou pela mesma dinâmica há poucos dias, com o mesmo aviso de estoque apertado até a próxima colheita.

O erro mais comum é deixar essa decisão para depois, porque açúcar parece um insumo pequeno demais para merecer atenção. Só que ele está espalhado pelo cardápio: no café, no bolo, na calda, no drinque, no refrigerante da geladeira. Este texto explica o que a Cepea/Esalq já confirmou sobre a safra 2026/27, quanto isso pesa dependendo do que você vende, e como decidir entre travar o preço agora ou esperar mais um pouco, sem depender de achismo.

Quanto o açúcar subiu e por que isso está acontecendo?

O Indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco em São Paulo fechou em R$ 120,08 por saca de 50 kg em 23 de setembro de 2026, acumulando alta de 5,56% no mês. O movimento não é de um dia: a série mostra subida quase ininterrupta desde o início de setembro, quando a saca valia R$ 115,41.

Segundo o Cepea, o aumento está ligado à menor disponibilidade do produto no mercado à vista paulista e nos demais estados produtores do Centro-Sul. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, citados pelo próprio Cepea, mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na segunda quinzena de agosto ficou abaixo do mesmo período de 2025. Some a isso um detalhe de clima: as chuvas atrasaram a colheita da cana, e parte das usinas pode estender a moagem (o processo de esmagar a cana para extrair o caldo que vira açúcar e etanol) até fevereiro, embora a maioria ainda planeje terminar entre dezembro e janeiro.

Por que a oferta deve continuar apertada nos próximos meses?

Porque menos cana disponível nesta safra, combinada com um mix de produção ainda favorável ao etanol, significa menos açúcar sobrando para o mercado interno. O próprio Cepea descreve esse cenário como um fator que tende a dar sustentação às cotações, ou seja, segurar o preço lá em cima, não necessariamente empurrá-lo ainda mais para cima todo dia.

Isso é diferente de um susto de curto prazo. Quando já tratamos do açúcar aqui, no início de agosto, o cenário de fundo era o mesmo: oferta restrita e ano fechando em alta. Dois meses depois, a tendência não só se confirmou como ganhou um motivo novo e mais concreto, a safra do Centro-Sul abaixo do ano passado. Para quem compra, isso muda a pergunta: não é mais “o preço vai cair na próxima semana”, é “quanto tempo essa safra menor ainda vai pesar na minha cotação”.

Quanto isso pesa no seu custo, dependendo do que você vende?

Pesa de forma bem diferente conforme o quanto de açúcar entra no seu cardápio. Numa padaria com confeitaria que compra 200 kg de açúcar por semana (quatro sacas de 50 kg), o custo semanal foi de R$ 461,64 em 2 de setembro e passou a R$ 480,32 em 23 de setembro, uma alta de R$ 18,68 por semana, ou cerca de R$ 75 a mais somando quatro semanas de compra nesse volume hipotético. Numa cafeteria que usa açúcar sobretudo em calda e para adoçar, com uma saca por semana, a conta é de R$ 4,67 a mais na semana: pouco isoladamente, mas some ao café que também sobe e ao leite que oscila, e o efeito no CMV (custo da mercadoria vendida, ou seja, quanto os insumos pesam sobre o que você vende) do cardápio doce aparece.

Já num bar que usa açúcar principalmente em drinque e caipirinha, o volume costuma ser menor e mais irregular, então a alta pesa menos no total, mas pode justificar rever o preço da carta de drinques se a margem já estava apertada. Em todos os casos, vale revisar o markup dos itens mais açucarados do cardápio, e não só do bolo ou da sobremesa óbvia: o suco, o chá gelado e o café adoçado também usam açúcar todo dia.

Operação Compra semanal hipotética Custo em 02/09 Custo em 23/09
Padaria com confeitaria 200 kg (4 sacas) R$ 461,64 R$ 480,32
Cafeteria 50 kg (1 saca) R$ 115,41 R$ 120,08
Bar com carta de drinques 25 kg (meia saca) R$ 57,71 R$ 60,04

Já um hotel com café da manhã incluso costuma comprar açúcar em sachês individuais para o buffet, não em saca a granel, e o sachê tem um custo por quilo mais alto do que o cristal comprado direto. Nesse caso, vale perguntar ao distribuidor se ele repassou a alta do açúcar cristal também no preço do sachê embalado, porque o reajuste de embalagem costuma vir atrasado e em percentual diferente do indicador.

Vale travar preço com o fornecedor agora?

Sim, principalmente se o seu fornecedor ainda não repassou toda a alta e se você compra em volume relevante todo mês. A lógica é a mesma que já discutimos quando o café subiu na bolsa e quando o suíno vivo caiu por cinco meses seguidos: travar preço protege contra alta, mas tira a flexibilidade de aproveitar uma eventual queda.

Como a própria Cepea projeta oferta restrita por mais alguns meses, e não uma reversão rápida, o cenário pesa a favor de travar por um período curto, de 30 a 60 dias, em vez de longo prazo. Contrato de seis meses ou um ano trava você também se o cenário mudar, por exemplo se a moagem terminar antes do previsto e a oferta aliviar mais rápido do que o Cepea espera hoje. Peça ao fornecedor uma proposta com preço fixo por 30 dias e reavalie no vencimento, comparando com o Indicador Cepea daquele momento antes de renovar.

Quais os erros mais comuns na hora de cotar açúcar agora?

O primeiro erro é cotar com um único fornecedor e aceitar o valor sem comparação, especialmente num momento em que o preço de base está subindo e cada fornecedor repassa no seu próprio ritmo. Peça preço a pelo menos dois ou três fornecedores, com a mesma especificação (cristal, refinado ou orgânico, tipo de embalagem) e a mesma data de entrega, porque comparar cristal de um lado com refinado de outro distorce a decisão.

O segundo erro é não anotar a validade da proposta. Fornecedor de commodity agrícola costuma dar validade curta, às vezes 48 horas, exatamente porque o preço de base muda todo dia neste cenário. Se você recebeu a proposta na segunda e só decide na quinta, o valor pode já estar defasado. O terceiro erro, mais silencioso, é não olhar o histórico: se o seu fornecedor já subiu o preço do açúcar 5% ou mais neste mês, pergunte com que frequência ele reajusta e peça para isso ficar registrado por escrito, não só combinado por telefone. Nesse ponto vale revisar também o frete embutido na entrega, porque um reajuste de frete some ao do insumo sem aparecer separado na conversa.

O que fazer na compra de açúcar desta semana

  • Peça cotação a pelo menos dois fornecedores diferentes, com a mesma especificação de produto e a mesma data de entrega, antes de fechar a próxima compra.
  • Pergunte ao fornecedor atual se ele topa fixar o preço por 30 dias e peça isso por escrito, mesmo que seja uma troca de mensagem confirmando valor e prazo.
  • Revise o markup dos itens do cardápio com mais açúcar (sobremesas, cafés adoçados, drinques, sucos) para ver se a margem ainda está no ponto certo com o novo custo.
  • Se o restaurante já usa sistema, deixe registrado o preço vigente do fornecedor no cadastro, para comparar automaticamente na próxima cotação em vez de confiar na memória.
  • Na semana seguinte, compare o preço que chegou na nota com o que foi combinado. Se bateu, a rotina de cotação funcionou; se não bateu, é hora de rever com que frequência você compara fornecedores.

Como o Kotari ajuda

Para quem já cota com mais de um fornecedor, dá para enviar o pedido de preço do açúcar para todos ao mesmo tempo, cada um recebendo um link próprio para responder, sem precisar ligar um por um. As propostas chegam e ficam lado a lado numa mesma tela de comparação, então dá para ver rápido quem ofereceu o melhor preço para a mesma especificação antes de decidir. Depois de fechado o valor com o fornecedor escolhido, o preço fica congelado naquela cotação, evitando que ele suba de novo antes de virar pedido.

Isso ajuda quem já cota formalmente com alguns fornecedores. Quem compra de um fornecedor só, no WhatsApp, sem cotação, resolve com uma planilha simples e as ações acima, sem precisar de sistema para isso. Veja mais em Kotari para padarias e no glossário de compras.

Perguntas frequentes

O que é o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal?

É a referência de preço do açúcar cristal branco negociado no estado de São Paulo, calculada diariamente pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, ligado à Esalq/USP. Ele é usado como base de negociação entre usinas, distribuidores e compradores em todo o país.

Por que o preço do açúcar sobe mesmo fora da entressafra?

Porque a entressafra (período entre uma colheita e outra, quando a oferta do ano anterior já foi consumida e a nova ainda não chegou) não é a única causa de alta. Neste caso, a safra atual está em andamento, mas rendendo menos açúcar do que a do ano passado, o que já aperta a oferta antes mesmo de a entressafra chegar.

Dá para travar o preço do açúcar sem contrato formal com o fornecedor?

Dá, desde que o combinado fique registrado por escrito, seja num contrato, num e-mail ou numa troca de mensagem confirmando valor, volume e prazo de validade. O que protege o restaurante não é o formato do documento, é existir um registro que sirva de prova se o fornecedor tentar repassar um valor diferente do combinado.

De quanto em quanto tempo vale cotar açúcar com fornecedores?

Em cenário de preço subindo, vale reavaliar a cada 30 dias, comparando o valor do seu fornecedor com o Indicador Cepea do período. Em cenário estável, um intervalo de 60 a 90 dias costuma bastar.

O aumento do açúcar afeta também o preço da cerveja e do refrigerante?

O açúcar é insumo de bebidas adoçadas e de alguns processos de fermentação, então uma alta prolongada pode pressionar o custo desses itens também, mas o efeito chega com atraso, porque a maior parte dos fabricantes trava contrato de matéria-prima com meses de antecedência. Não é algo que aparece na nota do distribuidor de bebidas na semana seguinte.

O que fazer se o fornecedor já repassou o aumento na última entrega?

Compare o valor cobrado com a variação do Indicador Cepea no mesmo período: se o fornecedor subiu mais do que o indicador subiu, há espaço para negociar. Peça para ele justificar o reajuste com base no preço de mercado, não apenas alegar “custo subiu em geral”.

Quer ver o Kotari funcionando no seu restaurante?

Consolide solicitações, cote com fornecedores e controle aprovações. R$ 149/mês por loja.