Frete mínimo sobe até 132% e pesa na entrega do fornecedor

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou, em julho, a tabela de piso mínimo do frete rodoviário de cargas. O reajuste chega a 132% em algumas categorias na comparação com os valores fixados em 2020, e é justamente o tipo de mudança que não aparece na etiqueta do produto, mas aparece na fatura do fornecedor.
O que aconteceu
A Resolução ANTT nº 6.084, de 16 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, alterou o Anexo II da Resolução nº 5.867/2020 e revisou os coeficientes que definem o piso mínimo do frete rodoviário remunerado de cargas em todo o país. Esse piso é o valor mínimo que uma transportadora pode cobrar por lei: abaixo dele, o frete é considerado irregular.
Segundo o Poder360, os coeficientes por quilômetro rodado subiram cerca de 100% frente à tabela de 2020, e os valores fixos de carga e descarga subiram até 132%. Alguns exemplos citados pela reportagem: carga geral em caminhão de 2 eixos foi de R$ 2,0524 para R$ 3,9826 por km (+94%); carga frigorificada em veículo de 3 eixos foi de R$ 3,0543 para R$ 6,0159 por km (+97%); granel sólido em composição de 9 eixos, na taxa fixa de carga e descarga, foi de R$ 391,57 para R$ 908,91 (+132%). A tabela vale para caminhões de 2 a 9 eixos e cobre carga geral, granel sólido e líquido, frigorificada, conteinerizada e perigosa.
Importa o contexto: não é um salto de um mês para o outro, é a correção acumulada de seis anos sem revisão geral da tabela, num período em que diesel, pedágio e salário de motorista subiram bem mais que a inflação média. A categoria frigorificada, que é a que leva carne, laticínio e congelado até a doca do restaurante, está entre as que mais subiram.
O que isso muda no seu custo
O piso mínimo de frete não é uma tarifa que a sua operação paga direto — é o chão sob o qual nenhuma transportadora pode cobrar menos, por lei. Mas quem contrata o transporte, geralmente o fornecedor ou o distribuidor, não vai absorver esse aumento sozinho. Ele repassa, e o jeito mais comum de repassar é discreto: reajuste no preço do produto entregue, taxa de entrega que aparece separada na próxima nota, ou frete mínimo por pedido que sobe sem aviso.
Para uma cozinha de bairro, o frete costuma ser tratado como detalhe. Para uma rede pequena que recebe de três ou quatro distribuidores por semana, ele é linha de custo de verdade, principalmente em item de baixo valor agregado e alto peso: hortifrúti, bebida, água, gás, embalagem. É justamente aí que o reajuste de piso mínimo pesa mais, porque o frete por quilo do produto barato sobe proporcionalmente mais que o de um item caro.
Carga frigorificada merece atenção redobrada. Se a sua operação recebe carne, laticínio ou congelado em caminhão refrigerado dedicado, e não numa rota compartilhada com outros clientes do distribuidor, o custo do frete por entrega tende a subir mais rápido que o custo do próprio insumo nos próximos meses. Vale perguntar ao fornecedor se ele já embutiu o novo piso no preço da mercadoria ou se vai lançar a diferença como taxa separada.
Também vale olhar frequência de entrega. Pedido pequeno e frequente dilui menos o custo fixo do frete do que pedido maior e espaçado. Com o piso subindo, a conta de “vale a pena pedir toda quinta em vez de duas vezes por semana” muda de resultado.
O que fazer na próxima compra
- Peça ao fornecedor para discriminar frete na nota ou no orçamento, em vez de deixar embutido no preço do produto — só assim dá para comparar fornecedores de verdade.
- Revise o volume mínimo de pedido por entrega: consolidar compras de dois ou três itens no mesmo pedido dilui o custo fixo de frete por unidade.
- Para itens frigorificados de alto volume, pergunte se o fornecedor roda rota compartilhada com outros clientes na sua região — costuma sair mais barato que entrega dedicada.
- Compare a variação de preço da mercadoria com a variação do frete cobrado nas últimas notas: se o frete subiu mais que o insumo, é hora de negociar prazo ou volume, não só preço do produto.
- Se o fornecedor sinalizar reajuste, peça para ele justificar a parcela referente a frete separada da parcela referente a insumo — isso já evita repasse genérico “porque tudo subiu”.
Como o Kotari ajuda
O Kotari não muda o frete que o seu fornecedor cobra, mas organiza a cotação para que essa diferença apareça: ao registrar propostas de mais de um fornecedor para o mesmo pedido, fica mais fácil ver quem embutiu o reajuste no preço e quem não embutiu. Para quem ainda decide compra pelo WhatsApp do fornecedor, vale pelo menos anotar frete e preço em linhas separadas antes de fechar. Conheça as funcionalidades do Kotari para cotação e recebimento.
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