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Café sobe na bolsa: hora de travar preço com fornecedor

1 de agosto de 2026 Jéssica Eustáquio

O café fechou julho em alta nas bolsas internacionais, e o motivo não é sazonal: consultorias estão cortando a previsão de sobra de café para a safra 2026/27 por causa do risco de El Niño. Para quem serve café de cortesia, vende cappuccino ou abastece a padaria da esquina, agosto é a hora de olhar o contrato, não a nota da última compra.

O que aconteceu

Na sexta-feira 31 de julho, o contrato de café arábica com vencimento em setembro de 2026 fechou a 332,10 cents por libra-peso na ICE Futures US, alta de 905 pontos no pregão, segundo o Notícias Agrícolas. Os vencimentos seguintes também subiram: dezembro/26 fechou a 314,65 cents/lbp e março/27 a 305,30 cents/lbp. O robusta, negociado na ICE Europe, ficou praticamente estável no mesmo pregão.

O gatilho foi a consultoria Hedgepoint Global Markets reduzir sua estimativa de superávit global de café da safra 2026/27 de 9,9 milhões para 8,2 milhões de sacas, citando padrão irregular de chuva em países produtores e risco crescente de um El Niño forte nos próximos meses. Mesmo com expectativa de safra grande no Brasil, os estoques certificados de arábica na ICE seguem baixos, o que deixa o preço sensível a qualquer notícia nova sobre oferta. Segundo a consultoria, agosto a novembro serão os meses decisivos, período em que o mercado vai acompanhar a evolução do clima e o início da colheita no Vietnã e na América Central.

Vale registrar que superávit menor não é o mesmo que falta de café: a safra brasileira segue projetada como grande, e o próprio relatório trata o corte como ajuste de expectativa, não como alerta de desabastecimento. O que muda é a folga do mercado para absorver qualquer notícia ruim de clima entre agora e o fim do ano, e é essa folga menor que sustenta a alta nas bolsas desde a sexta-feira.

O que isso muda no seu custo

Café pesa diferente conforme o tipo de casa. Numa padaria ou numa cafeteria, ele é insumo de linha de frente, entra direto na ficha técnica do cappuccino, do coado e do combo de café da manhã. Num restaurante ou bar, costuma ser café de cortesia no fim da refeição, um item de custo baixo que ninguém precifica direito porque “é só um cafezinho”. Os dois cenários sentem a alta, só que de jeitos diferentes: um no preço de venda, outro na margem que ninguém está olhando.

O detalhe que importa esta semana é que a alta de julho aconteceu nas bolsas de futuros, o preço que o torrador paga hoje, não necessariamente o preço que chega no seu boleto amanhã. A maior parte das casas compra café torrado e moído de um fornecedor local ou de uma torrefação regional, com preço próprio, prazo próprio e reajuste que costuma vir com atraso de semanas em relação à bolsa. Isso é uma janela, não uma garantia: se o cenário de El Niño se confirmar entre agosto e novembro, como a própria Hedgepoint já sinaliza como cenário decisivo, o repasse tende a chegar no fornecedor local mais cedo ou mais tarde.

Vale também separar arábica de robusta na hora de olhar o cardápio. O robusta ficou estável no mesmo pregão em que o arábica disparou, então quem usa blend com mais robusta, comum em café mais barato de padaria, tem um amortecedor que quem trabalha só com arábica não tem. Saber qual grão compõe o café que você compra é o primeiro passo antes de decidir se vale travar preço agora ou esperar.

Tem ainda um segundo efeito, menos óbvio: leite e açúcar sobem junto na percepção de custo do café, mas raramente entram na mesma conversa de negociação. Quando o fornecedor de café reajusta, é o momento de revisar o combo inteiro, inclusive copo descartável e capinha, se a casa trabalha com delivery ou viagem, porque o fornecedor costuma empacotar reajuste de vários itens numa tabela só, e é mais fácil negociar tudo de uma vez do que item por item ao longo do semestre.

O que fazer na próxima compra

  • Levante quanto o café representa no CMV do mês, separando café de cortesia de café vendido no cardápio, porque a decisão de negociar muda conforme o peso real do item.
  • Pergunte ao fornecedor se o preço atual está travado por contrato ou segue a bolsa, e por quanto tempo essa condição vale.
  • Se o fornecedor trabalhar com blend, pergunte a proporção de arábica e robusta: isso muda o quanto a alta de julho chega até você.
  • Negocie um preço fixo por 60 a 90 dias antes que a tendência de agosto a novembro se confirme na bolsa e chegue ao boleto.
  • Se o volume de compra permitir, avalie estocar um pouco mais agora, dentro do prazo de validade, em vez de comprar semana a semana até novembro.

Como o Kotari ajuda

O Kotari guarda o histórico de preço por fornecedor e por item, incluindo insumo de custo baixo como café, que costuma ficar fora do radar até virar problema de margem. Com isso em mãos fica mais fácil levar o número certo para a conversa com o fornecedor, sem depender de memória ou de planilha solta. Veja mais em funcionalidades ou consulte termos do setor no glossário.

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