Compras

Preço do ovo recua na Cepea: cobre o desconto do fornecedor

27 de agosto de 2026 Jéssica Eustáquio

O ovo caiu de preço nas últimas duas semanas, mas isso não chega sozinho até a sua planilha de compra. O fornecedor não tem motivo para ligar avisando que o produto ficou mais barato. Quem avisa é quem confere a conta antes de fechar o próximo pedido, e não quem espera a nota chegar.

  • Peça ao fornecedor o preço de hoje da caixa de 30 dúzias, separado por branco e vermelho, antes de aceitar o valor que ele passar de cabeça.
  • Compare esse valor com o indicador da praça mais próxima da sua cidade. A Cepea publica de graça, todo dia.
  • Cote com pelo menos dois fornecedores nesta semana. Quem está com estoque de granja parado tende a ceder mais do que quem já vendeu tudo.
  • Feche o novo preço por escrito, com data e validade, mesmo que seja só uma mensagem de WhatsApp confirmada por ele.
  • Se o ovo é item de compra semanal na sua casa, mantenha esse histórico registrado num lugar que não seja a memória de quem negocia, seja em planilha, seja em sistema.

Por que agora

Depois de operar estável na primeira quinzena de agosto, o preço do ovo caiu na segunda metade do mês, segundo a Cepea/Esalq. O motivo apontado pelos pesquisadores é a demanda mais fraca, típica do período: “atacadistas e varejistas intensificaram a pressão por descontos, e produtores cederam nas negociações para garantir o giro dos estoques nas granjas”, diz o boletim de 21 de agosto.

O indicador diário da Cepea confirma o movimento. Na Grande São Paulo, o ovo branco entregue (CIF) caiu de R$ 131,07 em 24 de agosto para R$ 129,63 em 26 de agosto, a caixa com 30 dúzias. O vermelho recuou mais forte, de R$ 144,68 para R$ 140,76 no mesmo intervalo, queda acumulada de 2,7% em três dias. Em Bastos (SP), a principal praça produtora, o recuo foi mais curto: o branco oscilou entre R$ 123,20 e R$ 124,02 no período.

A própria Cepea avisa que a oferta controlada em algumas praças limitou a intensidade da queda em certas regiões. Em Bastos, o vermelho oscilou entre R$ 133,35 e R$ 134,46 nos mesmos três dias, uma variação bem mais curta que a da Grande São Paulo. Ou seja, nem todo fornecedor tem o mesmo espaço para baixar, e isso é argumento de negociação, não desculpa pronta.

O que pesa na margem

Para quem serve café da manhã, monta massa de pão ou vende omelete, o ovo pesa direto na ficha de custo. Uma queda de 2% a 3% na caixa parece pouco quando olhada uma vez só, mas ela se repete a cada entrega enquanto a demanda continuar fraca.

O que decide o resultado da semana é quem repassa a queda e quem segura o preço antigo até você perguntar. Fornecedor de granja pequena, com estoque acumulado, tende a topar negociar rápido para girar o produto. Já quem compra de atacadista maior, com contrato de exclusividade ou entrega fixa, costuma demorar mais para ajustar a tabela, porque o preço de lista nem sempre acompanha o indicador do dia.

Peça o preço do dia antes de qualquer outra coisa. Aceite quando ele bater, mais ou menos, com o indicador da praça mais próxima. Recuse assinar reajuste ou manter o valor da semana passada sem justificativa, principalmente se o fornecedor for de granja pequena, onde a margem para ceder costuma ser maior.

Vale pedir a atualização, sem transformar isso em bate-boca. Uma mensagem direta resolve: “vi que o preço do ovo caiu na Cepea essa semana, pode confirmar o valor atualizado para a próxima entrega?”. Fornecedor sério responde com o preço do dia, não com desculpa.

E combinado bom é combinado registrado por escrito, mesmo que seja só uma captura de tela do WhatsApp com o preço, a data e até quando ele vale. Sem isso, na entrega seguinte, o preço “esquece” de cair de novo, e a próxima conversa começa do zero.

Essa janela de negociação também não é permanente. Assim que a demanda voltar a esquentar, o argumento perde força e o fornecedor deixa de precisar girar estoque às pressas. Vale aproveitar as próximas duas ou três compras para travar um preço mais baixo, em vez de deixar para revisar só quando a conta do mês fechar torta.

Como o Kotari ajuda

O Kotari não troca seu fornecedor nem promete desconto. Mas dá para comparar, lado a lado, o preço que cada fornecedor oferece pelo mesmo item antes de fechar a compra, e dá para acompanhar como o preço de um insumo se comportou nas últimas compras reais, não na memória de quem negocia.

Se o ovo é item recorrente na sua casa, veja como funciona o histórico de preço por produto e como enviar a mesma cotação para mais de um fornecedor de uma vez.

Quer ver o Kotari funcionando no seu restaurante?

Consolide solicitações, cote com fornecedores e controle aprovações. R$ 149/mês por loja.