iFood recua e libera entrega própria para restaurantes

O iFood recuou de uma decisão que preocupava restaurantes de dois municípios-piloto: em vez de obrigar todo mundo a migrar para a logística própria do aplicativo, a plataforma passou a decidir por nota. Quem tem bom score continua livre para entregar com o próprio motoboy. É um ensaio que vale a pena acompanhar mesmo fora dali, porque decisão de quem entrega o pedido mexe direto na sua margem.
O que aconteceu
Em Uberaba (MG) e Imperatriz (MA), o iFood havia anunciado que, a partir de agosto, todos os restaurantes desses municípios seriam migrados para o plano Entregas, a logística própria da plataforma. Depois de conversas com restaurantes, entidades representativas e parceiros locais, a empresa recuou da obrigatoriedade geral e adotou um critério por desempenho: estabelecimentos com score entre 3 e 5 podem manter a entrega própria e seguir vendendo normalmente pelo aplicativo. Já os que estão com score 1 ou 2 são convidados a migrar, podendo escolher entre logística híbrida ou totalmente operada pelo iFood, segundo o 55content.
A justificativa da empresa é um dado interno: restaurantes que passaram a usar a logística do iFood entre junho e julho de 2026 cresceram em média 40%, contra 5% dos que mantiveram entrega própria no mesmo período. Em comunicado, o iFood afirmou que “a empresa manteve o objetivo de ampliar a eficiência da operação e fortalecer o ecossistema local, mas revisou a forma de conduzir essa transição”.
Vale um cuidado de leitura: o número de crescimento comparado pela própria plataforma mistura causa e efeito, já que restaurante que migra para a logística do iFood tende a ser também o que já apostava mais forte no canal. Mesmo assim, o recuo da obrigatoriedade é o fato concreto, e ele é o que interessa a quem administra a operação.
O que isso muda no seu custo
Para uma operação de uma a cinco lojas, a escolha entre entrega própria e logística do aplicativo não é filosófica, é planilha. De um lado, a logística do iFood cobra uma taxa sobre o pedido, mas tira da sua conta o custo fixo de manter motoboy, moto, combustível, seguro e a dor de cabeça de escala em dia de chuva ou de falta. De outro, a entrega própria evita essa taxa por pedido, mas carrega custo fixo mensal que existe mesmo em dia fraco de vendas.
O jeito certo de comparar não é olhar percentual de comissão isolado, é dividir o custo mensal da sua estrutura própria — salário ou diária do motoboy, combustível, manutenção de moto, seguro, eventual terceirização de app de corrida — pelo número de entregas que você de fato faz no mês. Se esse valor por entrega fica abaixo da taxa cobrada pela logística do aplicativo, entrega própria ainda compensa. Se fica acima, principalmente em mês de venda mais fraca, a conta pode virar.
O outro ponto que esse episódio escancara é que o score de avaliação no aplicativo deixou de ser só reputação: em Uberaba e Imperatriz, ele virou a linha que separa quem tem escolha de quem não tem. Tempo de preparo, taxa de cancelamento, erro de pedido e nota do cliente entram nessa conta. Um restaurante com operação bagunçada na cozinha corre o risco de perder não só clientela, mas também liberdade de decidir como entrega.
Mesmo quem está longe desses dois municípios não deve ignorar o caso. Testes regionais como esse costumam anteceder mudanças de política que depois se espalham pelo país, principalmente quando a plataforma tem dado favorável para defender a mudança, como neste caso. Vale a pena já ir organizando os números da sua operação para não ser pego de surpresa se a régua chegar na sua cidade.
O que fazer na próxima compra
- Calcule o custo real da sua entrega própria por pedido — motoboy, combustível, seguro e manutenção divididos pelo volume mensal — e compare com a taxa de logística cobrada pelo aplicativo antes de decidir qualquer mudança.
- Acompanhe seu score no painel do iFood toda semana: tempo de preparo, cancelamento e nota do cliente hoje também pesam na sua liberdade de escolher como entregar.
- Se a sua cidade não é Uberaba nem Imperatriz, pergunte ao seu gerente de conta se e quando esse critério pode chegar à sua região, para não ser pego correndo atrás de estrutura própria de última hora.
- Revise o cardápio de delivery: prato que chega ruim no cliente custa mais em reclamação e cancelamento — e derruba o score — do que qualquer economia de comissão.
- Se optar por manter entrega própria, formalize com seu motoboy ou parceiro de logística um combinado claro de horário e cobertura, para ter argumento se a plataforma cobrar desempenho mais adiante.
Como o Kotari ajuda
O Kotari não mexe em logística de entrega, isso é operação de delivery. Mas o cardápio que sustenta essa entrega — ficha técnica, custo de insumo por prato, controle do que está pesando na margem — é exatamente onde o Kotari atua, ajudando quem toca restaurante a saber quanto cada prato custa de verdade antes de discutir taxa de app ou comissão. Para conhecer como funciona esse controle na prática, vale olhar as funcionalidades disponíveis.
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