Mandioca sobe pela 8ª semana seguida e aperta o polvilho

Você fecha a lista de compra da semana e nem passa perto do preço da fécula de mandioca ou do polvilho, porque esses insumos raramente entram na conta que preocupa. Mas a mandioca para indústria já sobe há oito semanas seguidas e, em algumas praças, já passa de R$ 1,00 por grama de amido, segundo o Cepea/Esalq. O repasse chega na sua doca do jeito que sempre chega: quieto, dentro do preço do quilo de polvilho ou de farinha que o fornecedor manda na próxima nota.
O que pesa no custo da fécula agora
O levantamento do Cepea/Esalq, divulgado em 24 de agosto, mostra oito semanas seguidas de alta na mandioca usada pela indústria de fécula e farinha. Três coisas empurram o preço ao mesmo tempo: o produtor segura a venda das raízes de primeiro ciclo esperando pagar mais caro depois, parte das lavouras foi podada, o que reduz a colheita disponível agora, e quem processa também não acelera a entrega, na expectativa de o preço subir mais um pouco. Segundo o Cepea, “a menor oferta de raízes restringe a produção de fécula e farinha, enquanto a demanda se mantém forte”.
Para quem compra fécula, polvilho ou farinha de mandioca, esse aperto não aparece no preço da mandioca em si. Aparece direto no quilo do produto processado, na nota que a distribuidora manda junto com a entrega da semana. O “grama de amido” que o Cepea usa como referência é a unidade que a indústria usa para pagar o produtor pela raiz, não o que você vê no rótulo do saco de polvilho, mas serve como termômetro: quando esse indicador sobe oito semanas seguidas, é sinal de que a fábrica está pagando mais caro pela matéria-prima e vai, cedo ou tarde, repassar a conta para quem compra o produto pronto.
Compare o preço por quilo do polvilho na próxima nota com o da compra anterior antes de assinar o recebimento, não depois. Esse é o ponto exato em que o repasse aparece: não na conversa por telefone com o fornecedor, na conferência da entrega, quando já é tarde para negociar aquele pedido.
Isso vale também para quem serve mandioca frita ou aipim cozido como entrada ou acompanhamento. Ali o efeito é mais direto: a raiz que chega da Ceasa ou do distribuidor de hortifrúti é a mesma que está escassa, e o preço por caixa sobe junto, sem passar pela indústria de fécula no meio do caminho. Padaria sente pelo pão de queijo e pelo biscoito de polvilho, restaurante sente pela tapioca do café da manhã e pela mandioca frita da entrada, cada casa pelo seu insumo.
Quem trabalha com um único fornecedor de fécula ou farinha sente o repasse inteiro, porque não tem com o que comparar. Quem cotou com pelo menos mais um fornecedor no último mês tem argumento para perguntar se o reajuste bate com o que está acontecendo na ponta, no Cepea, ou se é só carona na alta geral do setor. A diferença entre pagar o repasse de olhos fechados e negociar o tamanho dele é ter esse número anotado antes de a nota chegar.
O que fazer na próxima compra
- Anote o preço por quilo do polvilho, da fécula e da farinha de mandioca da última compra antes de receber a próxima entrega. Sem esse número na mão, não dá para saber se o reajuste cobrado é razoável.
- Ligue para pelo menos mais um fornecedor de fécula ou farinha antes de fechar a próxima compra, mesmo já tendo um de confiança. Um segundo preço na mão muda a conversa.
- Pergunte ao fornecedor, por WhatsApp mesmo, se o reajuste é pontual, ligado à safra, ou se veio para ficar. Fornecedor sério explica a origem do aumento sem enrolar.
- Se a casa faz pão de queijo, biscoito de polvilho ou tapioca em volume, calcule quanto o quilo do insumo pesa na receita antes de decidir entre reduzir porção, trocar de marca ou segurar o preço do cardápio.
- Se você já cota com mais de um fornecedor pelo sistema, puxe o histórico de propostas e compare o preço de hoje com o da última cotação antes de aceitar o reajuste de cabeça.
Como o Kotari ajuda
Quando o preço de um insumo como a fécula de mandioca começa a subir, o primeiro remédio é comparar. No Kotari, uma cotação pode ir para mais de um fornecedor ao mesmo tempo, e a tela de comparação mostra lado a lado quem ofereceu o melhor preço por item, sem precisar montar planilha à parte. Para quem compra polvilho ou farinha toda semana, dá para clonar a solicitação anterior em vez de montar tudo de novo, e juntar os pedidos de mais de um setor numa avaliação antes de cotar ajuda a levar mais volume para a mesa de negociação, o mesmo volume que pesa na hora de segurar um reajuste. Veja mais em funcionalidades ou como funciona para padarias.
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