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Laranja tem leilão da Conab para sustentar preço mínimo

19 de agosto de 2026 João Bienert

A Conab autorizou, em portaria assinada na sexta-feira (14/08), leilões para sustentar o preço mínimo da laranja da safra 2026/27 nos estados onde o valor pago ao produtor caiu abaixo do piso oficial. Para quem serve suco, caipirinha ou usa a fruta fresca no cardápio, o leilão em si pesa pouco. O que interessa é o que ele sinaliza sobre o momento de preço da fruta.

O que aconteceu

A Companhia Nacional de Abastecimento vai realizar leilões de apoio à comercialização da laranja in natura da safra 2026/27, conforme portaria assinada em 14 de agosto e divulgada dois dias depois pela Conab. A medida libera até R$ 10 milhões em recursos e entra em ação nos estados onde o preço de mercado está abaixo do mínimo fixado para a fruta: R$ 28,76 por caixa de 40,8 kg.

O mecanismo usa dois instrumentos da política agrícola: o Pepro, que paga ao produtor a diferença entre o preço de mercado e o mínimo, e o PEP, que subsidia quem compra a fruta a preço garantido, ambos operados pelo sistema eletrônico de comercialização da própria Conab. A safra 2025/26 fechou em 11,95 milhões de toneladas, concentrada em cerca de 80% no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro. As exportações de suco em 2025 somaram 2,2 milhões de toneladas, 8,1% abaixo de 2024. Entre janeiro e julho deste ano, porém, o volume embarcado já corre 12% acima do mesmo período de 2025.

O que isso muda no seu custo

Os R$ 10 milhões do leilão são ruído para quem compra fruta no distribuidor local: é pouco perto do tamanho da safra e não muda o preço da caixa na sua cidade de um dia para o outro. O que muda a compra é o motivo do leilão existir. O preço no campo caiu abaixo do piso, o que normalmente significa fruta sobrando na cadeia e o distribuidor com espaço para negociar.

Isso é bom para quem compra laranja agora, e é por isso que vale fechar volume nesta semana em vez de esperar. Um leilão de apoio ao preço tende a fazer o oposto do que parece à primeira vista: ao garantir o piso ao produtor, ele tira fruta do mercado livre pelo Pepro e pelo PEP, e reduz a sobra que hoje está pressionando o preço para baixo. Esse efeito chega ao comprador com atraso, não da noite para o dia, mas em algumas semanas.

Para quem usa laranja em suco, caipirinha ou finalização de prato, o peso do item na ficha técnica costuma parecer pequeno perto de carne ou queijo, mas ele se paga rápido: uma casa que passa dezenas de caipirinhas ou sucos por dia sente qualquer variação de 10% a 15% no fim do mês, porque o volume é alto e a margem da bebida costuma ser mais apertada do que a do prato principal.

O dado das exportações ajuda a explicar por que hoje sobra fruta no mercado interno. Em 2025 o Brasil embarcou 8,1% menos suco do que em 2024, e isso deixou mais laranja disputando comprador aqui dentro. Se o ritmo de exportação, que já corre 12% acima do ano passado nos primeiros sete meses de 2026, seguir nesse passo, a sobra tende a encolher e o preço junto com ela.

Vale separar também o que muda por região. A produção brasileira é concentrada, e é perto dessa concentração que o efeito do leilão aparece primeiro e mais forte. Fora dela, o preço que chega até você já carrega frete mais alto, e o leilão pode levar semanas a mais para se refletir na sua praça. Isso não muda a conta de fundo, só quanto tempo ela leva para aparecer no preço que você paga.

O que fazer na próxima compra

  • Peça cotação de laranja a pelo menos dois fornecedores nesta semana e compare o preço por caixa de 40,8 kg, não só o preço por quilo solto.
  • Pergunte ao fornecedor se o preço cobrado já reflete o piso novo ou ainda é o da sobra da safra: isso muda quanto tempo esse preço deve durar.
  • Calcule quanto a laranja pesa na ficha técnica do suco ou da caipirinha antes de decidir comprar mais volume agora; item barato só compensa estocar se o giro for rápido.
  • Anote o preço pago nesta compra num caderno ou planilha simples e compare com a próxima entrega, para pegar o momento em que o repasse do fornecedor começar a subir.
  • Se você já cota formalmente com mais de um fornecedor, feche e trave o preço assim que decidir, antes que o mercado reaja ao leilão.

Como o Kotari ajuda

Insumo em movimento de preço é exatamente o caso em que comparar mais de um fornecedor lado a lado evita pagar o preço da sobra de safra numa entrega e o preço do leilão na seguinte sem perceber a diferença. No Kotari, as propostas de cada fornecedor aparecem lado a lado por item, e assim que a cotação é fechada, o preço fica travado: nenhum fornecedor altera o valor depois. Quem já junta pedidos de mais de um setor antes de cotar ganha volume extra para negociar a caixa de laranja também. Mais em funcionalidades e em para restaurantes.

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