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Cesta básica cai em 26 capitais, mas leite sobe, diz Conab

11 de agosto de 2026 Marcos Rodrigues

A cesta básica ficou mais barata em julho em 26 das 27 capitais pesquisadas, segundo levantamento da Conab em parceria com o Dieese divulgado em 10 de agosto. A queda média chega a quase 8% em algumas cidades, mas dentro dessa média dois itens de peso na cozinha subiram de preço: leite e feijão. Para quem compra insumo toda semana, essa divergência importa mais que a média nacional.

O que aconteceu

Segundo a Conab, o valor da cesta básica recuou em quase todas as capitais na comparação com junho. As maiores quedas foram em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%) e Rio de Janeiro (-7,12%). São Paulo teve a menor queda entre as capitais que caíram, -5,23%, e continua com a cesta mais cara do país, a R$ 915,01. Só São Luís registrou alta, de 0,3%. No lado dos produtos, batata caiu entre 15,55% e 31,12% conforme a capital, tomate recuou em 26 das 27 cidades e café em pó caiu em 23. Já o leite subiu em 21 capitais, com variações de 0,25% a 6,27%, e o feijão subiu em 17. A carne bovina ficou dividida: caiu em 14 capitais e subiu em 12. A pesquisa é uma parceria entre Conab e Dieese que começou em 2024 e ampliou a coleta de 17 para 27 capitais.

O que isso muda no seu custo

A primeira armadilha da manchete sobre a cesta básica em queda é achar que a ficha técnica do restaurante caiu junto. Não caiu, ou não caiu do mesmo jeito. A cesta básica é uma cesta de consumo doméstico, com peso grande em itens que também compõem o CMV de bar, restaurante, padaria e hotel — arroz, feijão, batata, tomate, café, açúcar, leite, carne bovina — só que na proporção errada pra sua operação. Um bar que vende muito café da manhã e usa leite em quantidade sente a alta de 21 capitais, não a queda média do índice. Uma padaria com produto que leva leite na receita (pão de leite, bolo, cappuccino) está pagando mais, mesmo com o índice geral em queda.

O mesmo raciocínio vale ao contrário: quem compra batata e tomate em volume — para fritas, salada, molho, guarnição — está no lado bom da conta agora, com queda de dois dígitos na maioria das praças. Isso é janela de negociação, não motivo pra parar de cotar. Fornecedor que sabe que o preço do insumo caiu no CEASA tenta manter a margem repassando menos a queda do que repassou a alta. Vale pedir a nota do mês anterior e comparar a variação, em vez de só perguntar o preço de hoje.

A divergência entre capitais importa tanto quanto a divergência entre produtos. São Paulo tem a cesta mais cara do país mesmo caindo; Aracaju tem a mais barata, a R$ 594,07. Índice nacional de preço de insumo é referência de tendência, não o preço que seu fornecedor vai cobrar nesta quinta. O que decide o valor da nota é o CEASA ou distribuidor da sua praça, a distância até a doca do fornecedor e o volume que você compra. Rede com loja em mais de uma capital sente isso na prática: a mesma rede de padaria pode estar pagando mais caro pelo leite em uma cidade e mais barato em outra, na mesma semana.

O que fazer na próxima compra

  • Confira o preço de batata, tomate e café em pó no seu fornecedor esta semana: se a queda relatada no mercado (dois dígitos em boa parte das capitais) não chegou na sua nota, é ponto de negociação.
  • Não trate leite como item estável. Com alta em 21 das 27 capitais, cote com pelo menos dois fornecedores antes de renovar contrato, e revise o preço de venda de itens que levam leite na receita.
  • Peça ao fornecedor de feijão o histórico de preço dos últimos três meses antes de aceitar reajuste — a alta em 17 capitais é ampla, mas o tamanho do repasse varia por distribuidor.
  • Para carne bovina, não use índice nacional como argumento de negociação: como o resultado está dividido entre alta e queda por capital, o que vale é o preço local, cotado com mais de um fornecedor.
  • Registre o preço pago nesta semana por item. É a base de comparação para saber, no próximo mês, se o fornecedor está repassando queda de mercado ou só alta.

Como o Kotari ajuda

O Kotari não muda o preço que o fornecedor cobra, mas organiza a cotação pra você ver, item a item, quem está repassando queda de mercado e quem não está. Ao cotar com vários fornecedores na mesma rodada, fica mais fácil comparar propostas de leite, feijão e carne bovina lado a lado, em vez de confiar de memória no que cada um cobrou mês passado. Para quem toca padaria, onde leite pesa direto na receita, vale olhar também as funcionalidades específicas para padaria dentro do Kotari.

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