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Simples Nacional: prazo de decisão da reforma é em setembro

23 de agosto de 2026 Reuel Cunha

Quem é optante do Simples Nacional tem até setembro para escolher entre dois caminhos de tributação, e a decisão vale para o restaurante inteiro em 2027. Errar essa escolha pesa mais na margem do ano que vem do que qualquer alta de insumo nesta semana.

A decisão que está na sua mesa

A partir de setembro de 2026, empresas do Simples Nacional escolhem entre continuar no regime tradicional ou migrar para o modelo híbrido de recolhimento do novo imposto sobre consumo, o IBS e a CBS. A Abrasel recomenda o híbrido para quem vende para outras empresas: dá para revisar a escolha até 30 de novembro, sem custo de arrependimento. Uma pesquisa da entidade com 1.480 donos de bares, restaurantes, padarias, lanchonetes, pizzarias e cafeterias, feita entre 20 e 28 de julho, achou 60,9% despreparados para a mudança. Entre os que são do Simples, 71,3% da amostra, só 10,6% estão se preparando de verdade para a escolha de setembro.

Quase metade, 49,4%, quer entender o efeito da reforma na formação de preço e na margem. Outros 46,8% ainda não sabem como funciona o desconto de 40% na alíquota que vale para bares, restaurantes e padarias, uma vitória que a Abrasel levou para a lei durante a tramitação. A alíquota de referência do novo imposto, hoje estimada em 27,91% pelo Comitê Gestor do IBS, cai para algo perto de 16,7% no setor de alimentação fora do lar com esse desconto. É essa conta que decide se vale reajustar o cardápio agora ou esperar a alíquota final fechar.

“Os empresários estão diante de uma transformação profunda no sistema tributário brasileiro, mas ainda sem acesso às informações necessárias”, diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

A escolha entre os dois regimes ainda divide os próprios empresários: 34,5% dizem estar em dúvida entre o Simples tradicional e o híbrido, 34% não entendem como vai funcionar o split payment (o recolhimento automático do imposto na venda) e 26,6% não sabem o que muda na emissão de nota fiscal. O motivo de tanta gente ficar de olho no híbrido está na cadeia de fornecimento: o novo sistema dá crédito tributário a cada etapa da compra, e quem vende para outra empresa, um fornecedor de padaria vendendo para uma rede, uma cozinha industrial atendendo eventos, só entrega esse crédito para o cliente se estiver dentro do regime que gera nota com IBS e CBS destacados. Ficar de fora não é neutro: é abrir mão de um argumento comercial com quem compra de você.

O que não fazer: escolher o Simples tradicional só porque é o que você já conhece. Quem vende para pessoa jurídica, evento fechado, fornecimento para outra empresa, contrato corporativo, perde competitividade fora do sistema de créditos que passa a valer entre empresas. E não trate a alíquota de 2027 como número fechado antes de dezembro. Pela Lei Complementar 214/2025, citada pela Abrasel, o Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota definitiva, o que deixa só 17 dias até o imposto começar a valer em 1º de janeiro. Se o prazo estourar além de 22 de dezembro, 2027 começa com o número técnico calculado pelo Tribunal de Contas da União, não com o que o Senado votou.

O que fazer até dezembro

  • Hoje: separe quanto do seu faturamento vem de pessoa jurídica, evento, fornecimento para empresa, delivery corporativo. É esse número que pesa a favor do modelo híbrido.
  • Esta semana: marque uma simulação com o contador comparando o regime tradicional e o híbrido no CNPJ real do seu negócio, não numa tabela genérica encontrada na internet.
  • Até 30 de setembro: registre a decisão por escrito, sabendo que dá para revisar até 30 de novembro sem perda.
  • No caderno ou na planilha de compras, mantenha o preço pago por insumo mês a mês, por fornecedor. É o que separa um aumento real de custo do ruído da reforma quando o fornecedor tentar embutir os dois na mesma conversa. Em sistema, esse histórico já fica pronto de fábrica.
  • Até 15 de dezembro: acompanhe se o Senado fixou a alíquota. Se não fixou, ajuste o orçamento de janeiro pela estimativa técnica do Tribunal de Contas da União, não pela alíquota que você espera que saia.

Como o Kotari ajuda

O relatório de Variação de preço mostra, produto a produto, o que realmente subiu de custo mês a mês, comparado ao período anterior. É a base para separar um reajuste real de insumo do que é o fornecedor testando se você percebe a reforma passando pela nota, sem depender da memória do que pagou no mês passado. Comparar dois ou mais fornecedores antes de fechar cada compra, acompanhado pelo relatório de Economia em cotações, mantém a margem sob controle enquanto a alíquota final de 2027 ainda não está fechada. Mais em funcionalidades e no glossário.

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