Cebola custa quase 3x mais que há um ano, mostra a Conab

A cebola está quase três vezes mais cara do que estava há um ano. O 7º Boletim Hortigranjeiro da Conab, divulgado em julho pelo Prohort, mostra o preço médio do quilo subindo mês após mês desde março. Para quem compra cebola toda semana, isso não é uma linha isolada na planilha: é um insumo que praticamente triplicou de peso no CMV em seis meses.
O que aconteceu
Segundo o boletim da Conab, que coleta preços em onze Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, a cebola fechou junho de 2026 com preço médio ponderado de R$ 4,42 por quilo, alta de 8,46% sobre maio. Parece pouco, mas é a continuação de uma escalada que começou em março, quando o preço médio já tinha saltado 48,6% em um único mês.
O que assusta é a comparação de doze meses: o preço de junho de 2026 está 181,5% acima do mesmo mês de 2025. Em praças como Ceagesp (São Paulo), o acumulado do ano já passa de 135%; na CeasaMinas (Belo Horizonte), 126,9%. A Conab atribui o movimento ao fim da safra do Sul — Santa Catarina e Rio Grande do Sul reduziram os envios em 68,9% e 33,8% no mês, respectivamente — sem que São Paulo, Minas Gerais e Goiás ainda conseguissem compensar totalmente com suas safras de meio de ano. Como resume o boletim: “os preços da cebola voltaram a registrar alta, mantendo o movimento de valorização observado desde março”.
Há um sinal de alívio, mas só na segunda quinzena de julho, fora do período coberto pela média oficial: na Ceagesp, o quilo que estava perto de R$ 5,00 recuou para R$ 4,37 em 13/07; na CeasaMinas, caiu de R$ 5,00 para R$ 4,50. A própria Conab liga essa queda ao aumento da oferta de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia, que juntos assumem o abastecimento enquanto o Sul fica fora do jogo até novembro ou dezembro.
O que isso muda no seu custo
Cebola é insumo de base: entra em molho, em refogado, em guarnição, em quase toda ficha técnica de cozinha brasileira, geralmente em quantidade que ninguém para para medir. É exatamente por isso que ela costuma ser o item que mais surpreende no fechamento do mês — ninguém troca de fornecedor por causa dela, ninguém renegocia contrato por causa dela, mas o volume comprado é alto o suficiente para que uma alta de 180% em doze meses distorça sozinha a margem de pratos que nem levam cebola como protagonista.
O ponto mais importante do boletim para quem compra é que essa não é uma alta pontual de uma safra ruim: é uma janela de transição entre regiões produtoras. O Sul, que respondia por parte relevante do abastecimento, está de saída até o fim do ano, e a Conab já avisa que a safra catarinense 2026/27 deve vir 8,6% menor que a anterior, segundo a Epagri/Cepa-SC. Ou seja: mesmo com o alívio de julho, não há garantia de volta aos preços de 2025 tão cedo — o mercado depende de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia sustentarem a oferta até lá.
Isso muda a lógica de compra de curto prazo para uma de acompanhamento de origem. Perguntar ao fornecedor de onde vem a cebola da semana passou a valer mais do que perguntar só o preço: fornecedor com origem em MG, SP, GO ou BA está comprando de quem está com safra em alta agora; fornecedor ainda dependente de SC ou RS está pagando o pico da entressafra sulista e repassando isso pra você com atraso.
O que fazer na próxima compra
- Pergunte a origem do lote antes de fechar o preço — cebola de MG, SP, GO ou BA tende a estar mais barata agora do que a de origem sulista, que está no fim da safra.
- Recalcule o peso da cebola na ficha técnica dos pratos de maior saída antes de repassar preço ao cardápio — com o insumo quase 3x mais caro que há um ano, o impacto pode estar maior do que a percepção da cozinha.
- Compare o preço da semana com o histórico de julho, não só com o mês anterior — a Conab já registra queda de mais de 10% em algumas praças na segunda quinzena; se o seu fornecedor não repassou, é ponto de negociação.
- Evite estocar volume grande enquanto a transição de safra não se estabiliza — comprar demais no pico de incerteza trava capital em um insumo com tendência de queda no curto prazo.
- Se o fornecedor tem contrato de preço fixo com vencimento próximo, negocie a renovação usando os dados de julho como referência, não a média de junho, que já está defasada.
Como o Kotari ajuda
O Kotari não decide o preço da cebola, e não tem como. O que ele resolve é a parte que trava a operação: consolidar o que cada setor pediu, comparar cotação de mais de um fornecedor lado a lado e manter o histórico do que já foi pago, pra você chegar à conversa de quinta à tarde com dado na mão, não com achismo. Para quem quer entender como isso se encaixa na rotina de compra de uma cozinha de porte pequeno a médio, vale conhecer as funcionalidades do sistema e a página feita para restaurantes.
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