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Preço da mandioca sobe com oferta restrita, mostra Conab

4 de agosto de 2026 Jéssica Eustáquio

A mandioca subiu de preço ao produtor na virada de julho para agosto, puxada por oferta restrita em várias praças do país. É insumo de cardápio inteiro — frita, purê, farofa, aipim na manteiga — e some rápido do orçamento de quem não está de olho.

O que aconteceu

Levantamento da Conab mostra a mandioca raiz ao produtor em alta na cotação de 3 de agosto de 2026 em parte dos estados acompanhados: na Bahia, o preço fechou a R$ 535,00 a tonelada, alta de 2,88% na semana; em Rondônia, a R$ 603,50, alta de 4,77%. Piauí foi na direção contrária, com queda de 1% para R$ 658,33 a tonelada, enquanto Goiás seguiu estável em R$ 1.000,00, o maior valor entre as praças monitoradas. O movimento de alta acompanha o que pesquisadores do Cepea vêm registrando nas últimas semanas: menor rendimento de amido nas lavouras e demanda industrial aquecida sustentando as cotações, com oferta restrita nas regiões produtoras do Centro-Sul.

O que isso muda no seu custo

O primeiro cuidado é não tratar mandioca como preço único no país: a variação entre Piauí caindo e Rondônia subindo quase 5% na mesma semana mostra que o número que estampa a manchete não é o número que chega na sua doca. O que importa é o preço na praça que abastece o seu fornecedor, e isso vale perguntar direto, não estimar pela notícia.

Para quem serve mandioca frita como entrada ou acompanhamento, ela costuma competir de perto com a batata inglesa na ficha técnica — em semana de alta de um dos dois, vale recalcular qual sai mais barato por porção antes de decidir o que vai pro cardápio fixo daquela semana. Para farofa e purê, o insumo pesa menos isoladamente, mas some rápido em operação de buffet e por quilo, onde o desperdício de casca e talo mal aproveitados infla o custo por quilo útil além do que o preço de compra já indica.

Vale separar dois produtos que às vezes se confundem na hora de negociar: a raiz in natura, que é o que essa cotação mede, e a fécula ou polvilho usados em pão de queijo e biscoito, que vêm de uma cadeia industrial própria e reagem à mesma pressão de oferta, mas com defasagem. Se a sua casa depende de polvilho, o aperto na raiz de hoje é o sinal de atenção para o preço da fécula daqui a algumas semanas.

A oscilação também é um lembrete de como a mandioca se comporta diferente de proteína ou hortifruti de giro rápido: por ser raiz de colheita mais espaçada e sensível a rendimento de amido na lavoura, ela tende a andar em ciclos de várias semanas, não em picos de um dia para o outro. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo — bom porque dá tempo de reagir sem pânico, ruim porque quem não acompanha a cotação semanal só percebe o estrago quando o reajuste já está consolidado no pedido do fornecedor.

Para operações que têm mandioca frita como carro-chefe de porção compartilhada — bar, hamburgueria, casa de carnes — o item costuma ter margem generosa o suficiente para absorver uma alta de 3% a 5% sem precisar mexer no preço de venda imediatamente. O risco maior é para quem usa mandioca como enchimento de prato por quilo ou marmita, onde a margem já é apertada e qualquer variação de custo do insumo principal pesa proporcionalmente mais no resultado da semana.

O que fazer na próxima compra

  • Pergunte ao fornecedor de qual estado vem a mandioca da semana — o preço de referência muda bastante de praça para praça, e o nacional não serve de régua direta.
  • Compare o custo por porção de mandioca frita com o da batata inglesa antes de fechar o cardápio da semana; em alta pontual, vale trocar o destaque sem tirar nenhum dos dois do menu.
  • Se mandioca é insumo recorrente (farofa, purê, aipim), negocie quantidade e preço fixo por 2 a 4 semanas com o fornecedor local, em vez de comprar no spot toda vez.
  • Revise o rendimento real da mandioca crua depois do descasque — parte do reajuste se absorve ajustando o preparo, não só repassando no preço do prato.
  • Se a casa usa polvilho ou fécula (pão de queijo, biscoito), monitore estoque de segurança agora, antes que a alta da raiz chegue à cadeia da fécula.
  • Anote a cotação desta semana num histórico simples, mesmo que seja uma planilha — sem comparação de algumas semanas seguidas, fica difícil separar alta pontual de tendência que justifica renegociar contrato.

Como o Kotari ajuda

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