Vendas em bares e restaurantes sobem, junho decepciona

O setor de bares e restaurantes cresceu 4,2% no segundo trimestre de 2026 na comparação com o ano passado, mas junho decepcionou: caiu 2,1% frente a maio, mesmo tendo Copa do Mundo e Semana dos Namorados no calendário. O dado é do Índice Abrasel-Stone e mostra algo que quem compra toda semana já sente na pele: mês bom no papel não significa mês parelho no caixa.
O que aconteceu
Segundo o Mercado&Consumo, que teve acesso aos dados do Índice Abrasel-Stone, junho foi o nono mês seguido de alta na comparação anual (2,6% a mais que junho de 2025), mas ficou 2,1% abaixo de maio. Dos 24 estados pesquisados, 18 cresceram na comparação anual, com destaque para Roraima (14,5%), Santa Catarina (8,5%) e Rio Grande do Sul (5,6%). Seis estados recuaram, casos de Maranhão (-5,1%) e Paraíba (-3,7%).
Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, atribuiu o resultado de junho a um desvio de gasto: “o segundo trimestre foi positivo para o setor, mas junho ficou abaixo da expectativa” criada por um mês com evento grande, em parte porque o aumento das apostas esportivas pode ter tomado espaço do orçamento do consumidor. Já Guilherme Freitas, economista da Stone, credita a resiliência do trimestre ao mercado de trabalho aquecido e ao desemprego baixo, que seguram o consumo das famílias mesmo com o crédito caro.
O que isso muda no seu custo
Para quem opera de uma a cinco lojas, o número que importa não é o 4,2% do trimestre — é o -2,1% de junho contra maio. Média trimestral esconde justamente o tipo de oscilação que empata a operação: pedido de compra fechado com base no mês anterior, perecível sobrando na câmara fria, hortifrúti perdendo ponto na segunda-feira porque o movimento de sexta não repetiu.
O relatório também aponta um fator que muda o padrão de consumo sem aparecer na nota fiscal do fornecedor: apostas esportivas competindo pelo orçamento do cliente em mês de evento. Isso tende a bater mais forte no ticket médio de bar em dia de jogo do que no volume de cobertos do almoço executivo — então a mesma “queda de junho” pesa diferente dependendo do seu mix. Bar com faturamento concentrado à noite sente mais; restaurante de almoço corporativo sente menos.
O outro lado da moeda é a explicação de Freitas: emprego em alta e desemprego baixo sustentam consumo, mas o crédito das famílias continua caro. Isso significa que o cliente ainda vai ao restaurante, só que mais seletivo com o que pede — entrada e sobremesa são as primeiras a cair da conta antes do prato principal. Se a sua ficha técnica depende de venda casada (entrada + prato + bebida) para fechar a margem, esse é o ponto de atenção real, não o número do trimestre.
Na prática, isso pede menos contrato de compra fixo por trimestre e mais leitura semanal do PDV antes de confirmar quantidade com o fornecedor. Quem trava pedido de proteína e hortifrúti com base na média dos últimos três meses corre o risco de repetir o erro de junho: comprar para o volume que “devia” acontecer, não para o que realmente entrou pela porta.
Isso vale principalmente para quem fecha pedido de quinta à tarde para entrega de fim de semana, o momento em que mais se erra a mão: se o WhatsApp do fornecedor já tem a lista pronta há dias, ela carrega a expectativa de uma semana comum, não o efeito de um evento grande ou de uma segunda-feira mais fraca que o normal. Vale conferir o número real de cobertos da semana antes de apertar “enviar”.
O que fazer na próxima compra
- Antes de confirmar quantidade com o fornecedor de hortifrúti e proteína, cruze o pedido com a curva de vendas real da última semana no seu sistema de vendas, não com a média do mês.
- Se tem evento grande no calendário (jogo, feriado, data comemorativa), pergunte ao fornecedor de perecíveis se ele aceita ajustar a quantidade até 24h antes da entrega em vez de fechar pedido fixo com uma semana de antecedência.
- Revise o mix de entrada e sobremesa da semana: se o cliente está cortando esses itens primeiro, produzir volume grande com antecedência é o jeito mais rápido de gerar perda.
- Acompanhe o ticket médio por dia da semana, não só o total mensal, para separar queda de volume de queda de valor por pedido — a resposta de compra é diferente em cada caso.
- Antes de renovar qualquer contrato de compra fechado para o trimestre inteiro, confira se ele ainda cabe no padrão real de vendas de junho, e não só na expectativa criada no início do período.
Como o Kotari ajuda
O Kotari não prevê venda nem promete margem maior. O que ele faz é organizar a solicitação de compra do setor até o pedido fechado com o fornecedor, com histórico de preço e quantidade por item — assim fica mais fácil enxergar quando o pedido da semana está descolado do movimento real, antes de a mercadoria chegar na doca. Veja como funciona em funcionalidades ou entenda o fluxo pensado para restaurantes.
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