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Milho sobe 3% em julho: o que muda no custo de frango e ovo

9 de agosto de 2026 Joice Lima

O indicador do milho da Cepea/Esalq fechou julho com alta acumulada de cerca de 3%, no maior patamar desde o fim de maio. Parece notícia de fazenda, mas o milho é a base da ração de frango, suíno e da postura de ovos — quando ele sobe, o efeito chega no talho e no ovo do café da manhã algumas semanas depois.

O que aconteceu

Segundo o Cepea, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho em Campinas (SP) subiu quase 3% ao longo de julho de 2026, mesmo tendo fechado o mês estável. Em 17 de julho a cotação já havia se aproximado de R$ 65,00 por saca de 60 kg, o maior valor desde o fim de maio, segundo levantamento do Farmnews com base nos mesmos dados.

O motivo é oferta e cautela: compradores seguem retraídos, negociando o mínimo para cobrir a produção da semana, enquanto o mercado espera a chegada da safrinha para destravar estoque. Contratos futuros na B3 para depois de setembro já projetam preço acima de R$ 70,00 por saca, sinal de que o mercado não está apostando em alívio rápido.

O detalhe que muda o jogo é o comparativo com o ano passado: segundo o mesmo levantamento, julho de 2026 foi o primeiro mês em que o preço do milho superou o mesmo período de 2025, mesmo com a cotação ainda abaixo do fechamento de dezembro do ano passado. Não é um pico isolado de um dia de pregão: é o mercado futuro precificando, com meses de antecedência, que a folga de oferta que segurou o preço nos últimos meses está encolhendo.

O que isso muda no seu custo

Milho e farelo de soja são a base da ração que alimenta frango, suíno e poedeira no Brasil — não é coincidência que o custo de produção dessas três proteínas ande colado no gráfico do milho, só que com defasagem de algumas semanas, o tempo que o produtor leva pra sentir a ração mais cara na planilha e repassar no preço de venda. Nos últimos meses esse custo vinha caindo: o alívio na ração ajudou a segurar o preço do frango e do ovo na gôndola e no fornecedor. A alta de julho é o primeiro sinal de que essa folga pode estar no fim.

Para uma operação de bar, restaurante ou padaria de porte pequeno a médio, isso pesa em cascata: frango é, na maioria dos cardápios, a proteína mais usada por ter margem melhor que a carne bovina, e o ovo entra em quase toda ficha técnica, do pão de queijo ao molho. Se os dois ficarem mais caros ao mesmo tempo que o boi resiste em alta, como já vem acontecendo, não sobra proteína “de alívio” pra migrar o cardápio — é o cenário mais difícil de administrar, porque não tem pra onde fugir dentro da própria categoria.

Isso não é motivo para pânico nem para reagir num único WhatsApp de fornecedor. É motivo para monitorar a cotação de frango e ovo nas próximas três a quatro semanas — a defasagem entre milho e proteína animal dá exatamente essa janela de antecedência para se preparar antes que o reajuste chegue na nota.

Vale lembrar que essa defasagem não é uma regra fixa de calendário: ela varia com o ciclo de produção de cada proteína — a poedeira reage mais devagar que o frango de corte, por exemplo — e com o quanto cada frigorífico e granja já tinham de ração comprada e travada antes da alta. Por isso o número que importa pro comprador de restaurante não é o indicador do milho isolado, e sim o comportamento da tabela do próprio fornecedor semana a semana. Se o fornecedor de frango sinalizar reajuste antes de qualquer notícia de imprensa chegar, é porque ele já sentiu o custo de ração subir na ponta da granja.

O que fazer na próxima compra

  • Peça ao fornecedor de frango e ovo a tabela de preço atual por escrito e marque a data — vai servir de referência para comparar daqui a três semanas.
  • Revise a ficha técnica dos pratos com frango e ovo: quanto o insumo pesa no custo do prato e quanto de margem existe hoje para absorver um reajuste de 5% a 10%.
  • Se o fornecedor oferece contrato ou tabela fixa por período, avalie travar volume de frango e ovo agora, antes que a alta do milho chegue no preço de venda dele.
  • Evite comprar volume extra de proteína “porque está barato hoje” sem capacidade de estoque e giro — insumo perecível parado é custo, não economia.
  • Acompanhe também o preço do farelo de soja: junto com o milho, ele é o outro pilar da ração, e uma alta simultânea dos dois costuma antecipar reajuste mais forte na proteína.

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