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Açúcar deve fechar 2026 em alta: hora de travar preço

3 de agosto de 2026 Kim Soares

O açúcar deve fechar 2026 em alta, com o mercado global saindo de superávit e entrando em déficit na safra 2026/27, segundo levantamento da Reuters. Para quem usa açúcar em padaria, confeitaria, café ou drinque, o movimento não é de pânico, mas é o momento de olhar o contrato com o fornecedor antes que o custo de reposição suba mais.

O que aconteceu

Segundo a Notícias Agrícolas, os contratos futuros de açúcar bruto na ICE (Nova York) fecharam a quinta-feira, 30 de julho, a 14,43 centavos de dólar por libra-peso, com projeção de encerrar 2026 perto de 15 centavos — cerca de 4% acima do nível atual e acima do fechamento de 2025, de 15,01 centavos. O açúcar branco deve terminar o ano em torno de US$ 479 por tonelada, ganho anual estimado em 12%.

O motivo é a virada no balanço global: a safra 2025/26 teve superávit de 4,78 milhões de toneladas, mas a projeção para 2026/27 é de déficit de 800 mil toneladas. Do lado da oferta, o Centro-Sul do Brasil deve produzir 40 milhões de toneladas de açúcar na próxima safra — abaixo dos 40,43 milhões anteriores —, com menor fatia da cana destinada a açúcar (47%, ante 50,3% em 2025/26). Do lado do clima, a análise cita perdas já registradas e piora prevista no Hemisfério Norte. Como resume a analista da Hedgepoint, Livea Coda: “com as perdas relacionadas ao clima já evidentes e as condições adversas no Hemisfério Norte previstas para se intensificarem”.

O que isso muda no seu custo

Açúcar raramente é o item isolado mais caro da ficha técnica, mas ele atravessa muitos pratos ao mesmo tempo: calda de bar, massa de padaria, sobremesa de cardápio fixo, café e drinque adoçado. Uma alta de dois dígitos no contrato internacional não chega da noite para o dia no balcão do distribuidor, mas costuma aparecer em semanas, na forma de reajuste de tabela — e quem só percebe quando a nota fiscal já veio maior perdeu a janela de negociar.

A diferença aqui em relação a uma quebra de safra local é o ritmo: é um movimento de mercado futuro, não uma ruptura de abastecimento. Isso dá tempo para agir com calma em vez de estocar por impulso. Para uma operação de uma a cinco lojas, a alavanca não é tentar prever o preço da bolsa de Nova York — é ajustar a cadência de compra. Comprar açúcar semana a semana, no automático, significa pagar o preço do dia toda vez que ele sobe. Fechar volume por um período mais longo com o fornecedor, ainda que em quantidade um pouco maior do que o hábito, tende a travar uma condição melhor antes que o reajuste chegue à tabela.

Vale também separar o que é essencial de receita do que é substituível. Item de assinatura da casa — a sobremesa que carrega a marca, o drinque de cardápio fixo — não é hora de trocar açúcar refinado por alternativa mais barata só por causa do mercado internacional, porque o cliente sente a diferença de sabor e textura. Já em itens de apoio, xarope de uso interno, por exemplo, pode valer revisar fornecedor ou formato de compra (saco maior, entrega mensal) para ganhar escala sem mexer na receita que o cliente reconhece.

Outro ponto que costuma passar batido: açúcar entra também em produto que a casa nem chama de “doce” — molho agridoce, marinada, pão salgado com toque de fermentação mais longa. Esses itens raramente aparecem numa conta de CMV feita de cabeça, porque o insumo é pequeno em cada receita individual, mas somado no volume mensal de compra pesa. Vale revisar a lista completa de itens que levam açúcar antes de assumir que só a padaria ou o bar sentem esse reajuste.

O que fazer na próxima compra

  • Pergunte ao fornecedor de açúcar e insumos de confeitaria se ele trava preço por 30 a 60 dias, e quanto custa essa garantia frente ao preço do dia.
  • Se a compra é direta com distribuidor, feche o volume do mês inteiro agora em vez de repor semana a semana enquanto a tendência é de alta.
  • Revise a ficha técnica dos itens que mais usam açúcar — sobremesas, drinques, pães doces — e calcule quanto pesaria uma alta de 10% no CMV desses pratos específicos.
  • Negocie condição de pagamento mais longa em troca de volume maior: o reajuste do mercado futuro ainda não chegou à tabela do distribuidor, então há espaço para negociar antes de pagar mais caro.
  • Evite compra de pânico em meses de estoque: açúcar tem validade longa, mas capital parado em insumo também tem custo, e o movimento é gradual, não uma ruptura.

Como o Kotari ajuda

O Kotari não substitui a conversa com o seu fornecedor de açúcar — quem negocia é o restaurante ou a padaria. O que o sistema ajuda a organizar é o histórico: ver quando cada fornecedor reajustou o preço desse item da última vez, comparar propostas na hora de cotar volume maior e consolidar num único pedido o que hoje pode estar espalhado em várias solicitações soltas. Para quem lida com esse tipo de insumo o tempo todo, vale conhecer as funcionalidades do Kotari e como funciona para padarias.

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