Café sobe 5,89% em Nova York: veja o custo na sua compra

O café arábica fechou a segunda-feira (24/08) com alta de 5,89% em Nova York. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq já acumula alta de 3,42% no mês, até 21/08. Para quem serve café no salão ou usa grão na cozinha, isso é dinheiro saindo do caixa toda semana.
O que aconteceu
Na segunda-feira (24/08), o contrato de café arábica para dezembro fechou em Nova York a US$ 3,41 por libra-peso, alta de 5,89% no pregão do dia, segundo a CNN Brasil.
O motivo apontado é a colheita mais lenta no Brasil. Pela Cooxupé, até 14/08 apenas 81,1% da safra estava colhida. No mesmo período do ano anterior, eram 86,1%. A CNN Brasil resume: “os preços foram sustentados pelo ritmo mais lento da colheita no Brasil, que mantém a oferta mais restrita no mercado internacional”.
No mercado interno, o indicador do Cepea/Esalq para o café arábica fechou em R$ 1.803,76 a saca de 60 kg em 21/08. É alta de 3,42% no mês.
O robusta andou no sentido contrário. No mesmo indicador Cepea, a saca de robusta caiu 3,72% no mês e fechou em R$ 1.051,93, também em 21/08. Os dois cafés respondem a safras diferentes, e por isso não sobem e caem juntos.
O que isso muda no seu custo
Café pesa direto na ficha de quem tem cafeteria, padaria ou serve café de cortesia no fim da refeição. E pesa também em quem só vende o cafezinho do dia, porque o volume comprado é pequeno, mas semanal.
Faça a conta. R$ 1.803,76 a saca de 60 kg dá R$ 30,06 o quilo, pelo indicador Cepea. Um mês atrás, com a alta de 3,42% ainda não embutida, o quilo saía a R$ 29,07. A diferença é R$ 0,99 por quilo em um mês.
Numa casa que compra 5 kg de café por semana, esse quase R$ 1 a mais no quilo dá R$ 4,95 a mais por semana, algo perto de R$ 21 no mês. Numa cafeteria que compra 20 kg por semana, o mesmo R$ 0,99 vira R$ 19,80 por semana, por volta de R$ 86 no mês. É o mesmo indicador, é só multiplicar pelo tanto que sua casa compra.
Tem uma saída que o próprio indicador Cepea mostra: enquanto o arábica sobe, o robusta caiu 3,72% no mês, para R$ 1.051,93 a saca em 21/08. É quase R$ 12 mais barato o quilo. Quem trabalha com blend tem aí uma alavanca real para segurar o custo sem trocar de fornecedor.
O que não dá para controlar é o ritmo da colheita. Se a Cooxupé fechar o atraso rápido, a pressão de oferta some e o preço pode ceder. Se as chuvas continuarem atrasando a colheita, a tendência é o indicador seguir subindo enquanto durar. Por isso vale menos esperar e mais travar o que puder agora.
Tem outra conta que costuma passar batido: o preço do café na ficha técnica geralmente é fixado há semanas ou meses, enquanto o indicador Cepea muda todo dia útil. Se o cardápio não acompanha essa alta de R$ 0,99 por quilo, quem paga a diferença é a margem do prato ou do cafezinho, não o cliente.
Nova York costuma se mexer primeiro, e o Cepea segue alguns dias depois. Um pregão de 5,89% em um único dia, como o de segunda, tende a aparecer no indicador brasileiro na semana seguinte. Vale acompanhar o Cepea nos próximos dias antes de fechar a próxima compra grande.
O que fazer na próxima compra
- Ligue para o fornecedor de café hoje e pergunte se o preço da última nota ainda vale ou se já veio reajuste embutido na próxima entrega.
- Peça o preço aberto por quilo, não só o total da nota. Assim dá para comparar com o R$ 30,06 do indicador Cepea e ver se o fornecedor está repassando a alta de verdade ou cobrando além dela.
- Se o cardápio permitir, teste um blend com mais robusta: o indicador caiu 3,72% no mês, para R$ 1.051,93 a saca, enquanto o arábica só sobe.
- Cote com pelo menos dois fornecedores antes de fechar a próxima compra de café. Quem cotou há um mês está com número velho, e dá para comparar os preços lado a lado num sistema de cotação.
- Anote o preço pago nesta compra, com data, numa planilha simples. Na próxima entrega, compare antes de assinar o canhoto.
Como o Kotari ajuda
No Kotari, dá para mandar a cotação de café para mais de um fornecedor ao mesmo tempo e comparar o preço por quilo lado a lado antes de decidir quem vence. Ao finalizar a cotação, o preço trava: o fornecedor não muda o valor depois que ela já virou pedido. Numa commodity que sobe rápido como o café está subindo agora, é essa trava que evita levar um reajuste na hora da entrega. Veja mais em funcionalidades e em para restaurantes.
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